Campanha de financiamento coletivo colabora com livro que celebra a obra dos Mutantes

Até 03 de junho os fãs de Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista (e da boa música brasileira) podem garantir o exemplar do ‘Discobiografia Mutante’, de Chris Fuscaldo

 Vai só até 03 de junho a campanha de financiamento coletivo – que tem como meta a impressão para os que comprarem nesta pré-venda – do livro Discobiografia Mutante: Álbuns que revolucionaram a música brasileira. Nele, a jornalista, escritora e cantora Chris Fuscaldo conta histórias dos álbuns dos Mutantes, banda que lançou Rita Lee e os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias na música. Entre elas, estão algumas muito divertidas e pitorescas como a da foto da capa do primeiro álbum da banda, “Os Mutantes”, em que Rita Lee posou envolta em uma toalha de mesa comprada por sua mãe em um bazar beneficente de uma igreja. Há também uma passagem sobre a participação de Jorge Ben (Jor) neste algum: “Ele não só foi quem compôs ‘A Minha Menina’ como também foi o violonista na gravação e ainda cantou e imitou Chacrinha durante a gravação. É de Jorge a voz que antecede o solo de Sérgio Dias falando ‘Tosse! Todo mundo tossindo!’”, conta Chris no livro. 

Campanha Discobiografia Mutante: https://www.catarse.me/discobiografiamutante

Outra passagem curiosa dá conta do dia em que a atriz Leila Diniz deixou um vestido de noite que havia usado na novela “O Sheik de Agadir” para Rita usar em uma apresentação no Festival Internacional da Canção, transmitido pela Rede Globo. Para produzir a foto da capa do disco “A Divina Comédia ou ando meio desligado”, a ideia era reproduzir a gravura de Gustavo Doré, que ilustrava a primeira edição do livro quase homônimo de Dante Alighieri. Rita, Arnaldo, Sérgio e o irmão Cláudio César, que fez a foto, cavaram um buraco de quase um metro. Segundo Sérgio, “já tinha até água no fundo, uma nojeira”. Cláudio improvisou uma lápide de isopor para a sepultura da onde saía Arnaldo com o peito nu. No fundo do buraco, foi acesa uma fogueira e um spot de luz dava conta da fumaça. No fim da sessão de fotos, o irmão de Sérgio e Cláudio saiu todo chamuscado do buraco. Rita e Sérgio vestiram mantos feitos de colchas de chenille da casa dos Dias Baptista e usaram folhas de louro na cabeça.

Discobiografia Mutante pretende mostrar como Arnaldo, Sérgio e Rita se divertiam tocando e produzindo, afinal, grande parte das sugestões, das ideias e das inovações eram fruto da criatividade dos integrantes do grupo. O livro só será impresso se a autora atingir a meta. Para preparar esse livro, Chris Fuscaldo começou em 2002 a entrevistar pessoas que fizeram parte dessa história, ler outros livros sobre os Mutantes ou que os citam e capturar curiosidades em matérias de jornais e revistas. Por ser uma forma alternativa de se lançar livro, o financiamento coletivo, ela acredita ser uma escolha coerente com o espírito da banda e de sua própria pesquisa. Os Mutantes nunca cederam ao mercado (ou melhor, ao sistema) e Chris Fuscaldo quer, pela primeira vez, experimentar essa liberdade para criar e para chegar mais perto de seus leitores. O livro é, sem dúvida, mais um registro para a memória da música brasileira.

 O livro é bilíngue, para alcançar os fãs internacionais, que não são poucos. Entre eles, estão David Byrne e um dos filhos de John Lennon, Sean Lennon, o responsável pela ilustração da capa do álbum “Tecnicolor”, que ficou perdido durante anos e foi lançado em 2000. No site do Catarse, é possível comprar o livro junto com o Discobiografia Legionária, livro de estreia de Chris Fuscaldo, que conta as histórias dos álbuns da banda Legião Urbana. Também estão disponíveis o DVD Lóki, documentário de Paulo Henrique Fontenelle sobre Arnaldo Baptista; o LP Os Mutantes; um box com todos os LPs da banda mais um de raridades; e um pôster do festival PrimaVera 69, que foi produzido pelo artista plástico Antonio Peticov e tem arte de Alain Voss. O francês foi o profissional convidado pelos Mutantes para produzir a arte dos álbuns “Mutantes e seus cometas no país do Baurets” (1972) e “Jardim elétrico” (1971). Neste último, “depois de tomar um ácido”, como conta Rita Lee, ele fez desenhos com alusões aos membros sexuais.

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