Marcos Veras : “Eu não gosto de fazer somente comédia”

Conhecido nacionalmente pela enorme vocação que tem para o humor, Marcos Veras, que já estrelou quadros famosos no “Zorra Total” e emprestou seu talento a inúmeros episódios do canal “Porta dos Fundos” , diz que não se prende a apenas um estilo de interpretação. Na noite de terça-feira, durante a entrega do Prêmio de Humor 2018, um dos assuntos mais recorrentes era exatamente esse; a suposta diferenciação de tratamento que um ator de comédia teria diante de um ator tido como dramático.

Nós aproveitamos a oportunidade para conversar com Veras, que embora tenha feito sucesso em programas de humor, de alguns anos pra cá vem dando força a tipos mais densos, como o Domênico de “Pega Pega”(Rede Globo).

*Você é um exemplo recente de que se pode transitar sem medo entre o humor e o drama. Qual a percepção que tem sobre isso?

Eu acho absolutamente normal. E digo sinceramente, embora eu considere muito pessoal a opção de cada ator, acho que transitar nos mais diferentes tipos é bastante enriquecedor.

*Mas você chegou a sofrer algum tipo de retaliação quando saiu da linha de humor e entrou para as telenovelas?

De forma alguma. Nem por parte dos colegas, nem por parte dos críticos ou do público. Quero até ressaltar que os colegas respeitam muito quem vem da linha de show, eles enxergam como algo difícil de se fazer. Tem muitos atores que admitem inclusive que não conseguiriam fazer humor, e preferem ficar então nas suas zonas de conforto. Nessa duas novelas que eu fiz na Globo, que são ‘Babilônia’ e ‘Pega Pega’, eu acho que a minha experiência com o humor ajudou muito na composição; um personagem era extremamente cômico e o outro não, mas creio que além da sorte de pegar dois personagens bacanas, também fui muito bem recebido por todos nessa nova fase. E sem contar que é bacana que o público perceba que você tem outras ferramentas de trabalho.

*Muitos dizem que o humor é mais difícil de se fazer. Você concorda com essa teoria?

Não tenho dúvidas. Com todo respeito que tenho aos meus colegas que fazem drama, mas acho que humor é bem mais difícil. Eu vejo a comédia como um abismo. Você está numa corda bamba e pode cair a qualquer momento, é perigoso. A comédia é muito fina também, muito delicada. Não que o drama não seja, mas na comédia o risco é bem maior. Mas volto a dizer, é uma questão pessoal; tem gente que opta só por um ou por outro campo de atuação, mas não é o meu caso. Eu gosto mesmo é de passear pelos lugares e explorar todas as possibilidades.

*Tendo em vista que o humor é bastante valorizado pelo público, porque somente agora se realiza um prêmio para esses artistas?

Olha, eu acho que muita gente já havia pensado nisso. Muitos de nós já conversamos sobre essa possibilidade. Mas o Fabio(Porchat) foi lá e fez. Essa é a diferença. Eu acho que ele merece todos os aplausos, porque além de ter criado a premiação ele fez questão de valorizar os grandes baluartes do humor. Ano passo foi feita uma homenagem ao Lúcio Mauro, esse ano ao Agildo, e por aí vai. Com relação ao prêmio eu não sei exatamente o porque da demora, mas também acho que é menos importante encontrar essa resposta e mais interessante pensar que daqui a pouco nós estaremos comemorando o 28º Prêmio de Humor, com fé em Deus.

*reportagem e foto : Léo Uliana

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